A ÉTICA NA CARTOMANCIA

 

 

Para podermos falar de ética, é necessário que nos lembremos quais são as razões que nos levam a praticar não só a cartomancia, mas qualquer outro tipo de adivinhação. Sem conhecimento desta causa seria impossível realizar um trabalho realmente útil, tanto para o consulente quanto para a cartomante, de maneira responsável e coerente.

Desde que o homem tomou consciência de si mesmo sempre se perguntou sobre sua origem, destino, e propósito neste mundo. Independentemente do nível de esclarecimento que qualquer indivíduo possua, em algum momento da sua vida, seja frente a algum problema, dificuldade ou dúvida, já se perguntou: por que isso acontece comigo? O que será que acontecerá comigo, dependendo desta ou daquela situação? Qual será o melhor caminho para vencer a dificuldade? Como evitar os problemas?

Diante dessas e de outras questões, buscou conforto e orientação na fé, nas religiões, nos espíritos, nos deuses, na adivinhação, entre outros. Desde tempos imemoriais o homem pratica a adivinhação em ossos, pedras, sangue, fogo, e mais uma grande quantidade de formas inumeráveis.

Talvez isso tenha ocorrido a partir de observações feitas a partir de fenômenos ou eventos simples, que talvez parecessem desencadear uma série de outros eventos; talvez fossem inspirados por alguma força cósmica superior, através de guias ou espíritos, que orientassem os homens a vislumbrar histórias e imagens das mais diversas formas, nas mais inusitadas situações; talvez uma consciência coletiva contenha informações de todos nós, e as disponibilize de forma peculiar, para aquele que possuir uma determinada chave, um vislumbre de partes deste todo; ou quem sabe não se trate de um pouco de cada coisa, e muito mais?

Independente da crença que se tenha nesta ou naquela religião, no destino, em espíritos ou seja lá no que for, o que nós temos que ter claro em nossa mente é que todo o indivíduo tem o direito de acreditar naquilo que queira acreditar.

Não cabe a nós, de forma nenhuma e em tempo algum, impor nossas opiniões sobre qualquer um desses assuntos à ninguém. Com estes pensamentos, podemos começar então a considerar os primeiros aspectos éticos sobre a adivinhação com as cartas:

1 – Todo indivíduo tem o direito de crer ou não no destino.

2 – Todo indivíduo tem o direito de crer ou não na adivinhação.

3 – Todo indivíduo tem o direito de crer ou não na cartomancia.

Consultando o dicionário encontramos para o verbete cartomancia: arte de deitar cartas para pretensa adivinhação do futuro (dicionário Michaelis). É exatamente pelo fato de a cartomancia se tratar de uma arte oculta, sem explicação comprovada cientificamente, que precisamos compreender a descrença das pessoas em geral, principalmente em tempos de apego material, descrença religiosa e individualismo. Mesmo porque, lembre-se: é direito das pessoas acreditar no que elas bem entenderem.

Mas o que nos leva realmente a colocar as cartas?

As razões são obviamente distintas para cartomante e consulente. Falemos então do consulente: independentemente de estar vivendo algum tipo de problema ou não, de ter dúvidas ou não, de necessidades de qualquer tipo, precisamos considerar primeiramente que o consulente possui uma coisa extremamente preciosa e particular, que é o seu destino, produto de sua própria existência como espírito, em sua jornada em busca de crescimento e aprendizado.

É uma coisa muito séria, que merece nosso maior respeito e responsabilidade, e também a consciência de que isso não pertence a nós, e sim à ele. Podemos portanto, enumerar mais alguns princípios éticos acerca da cartomancia:

4 – Cabe apenas ao consulente decidir sobre praticar ou não a adivinhação; continuar ou não uma cartada.

5 – Jamais a cartomante deve comentar, rir-se, manifestar opinião particular seja com o consulente, seja com qualquer outra pessoa.

6 – Jamais a cartomante deve adivinhar sem autorização do consulente, esteja ele presente ou não.

É sobre este destino, que pertence ao consulente, que ele está interessado. Este é o motivo que o levou a procurá-lo: seus problemas, suas dúvidas, ou mesmo suas curiosidades. Não importa o quê, não nos cabe julgar.

Ele vem ao nosso encontro em busca de respostas, de confirmações, de avisos, de conforto. É uma responsabilidade grande, que precisa ser encarada com seriedade, para que se possa atender as expectativas e necessidades dele.

O que nos leva novamente às razões da cartomante. Se os objetivos do consulente são os de encontrar respostas e conforto, quais não seriam os objetivos da cartomante senão os de dá-los ao consulente?

Parece lógico imaginar que para que a prática da adivinhação dê bons resultados para ambos, estas razões devam estar absolutamente claras na cabeça da cartomante, que é quem na verdade é a responsável pela condução de todo o processo.

Ela precisa portanto, ter claro para si quais são seus objetivos e os do outro, e de todos os meios para se concretizá-los com sucesso. Estas conclusões nos levam a mais alguns princípios éticos acerca da cartomancia:

7 – A meta da cartomante deve ser a de levar seu consulente a atingir seus objetivos, que são o de obter respostas, confirmações, avisos e conforto, sobre os aspectos que são importantes em sua vida.

8 – A cartomante deve conduzir todo o processo de maneira ética e responsável, tendo em vista que é ela quem domina toda a técnica e conhecimento.

e prosseguindo na mesma linha de raciocínio:

9 – A cartomante deve estar absolutamente preparada e, para tanto, precisa estudar e praticar muito para poder atender bem ao consulente.

Sendo objetivo da cartomante fazer com que consulente atinja seus objetivos, e sendo grande a responsabilidade de se tratar do destino de outro, é imprescindível falar com convicção sobre o que está se lendo, não havendo possibilidade para erros, pois erros podem ser catastróficos para o consulente, e todo o propósito da adivinhação é comprometido.

Restam ainda aqueles que realmente não esperam nada da adivinhação, e, quando esperam, muitas vezes estão equivocados com questões secundárias, sem enxergar o que realmente é importante em suas vidas e que podem realmente afetá-los de maneira significativa. Muitas vezes ficam perdidos em seus próprios problemas ou devaneios, e deixam de notar o óbvio.

Podem até mesmo fazer perguntas específicas, sobre um namorado ou um emprego mas não vêem desmoronando ao redor de si casamentos, filhos, pais, chances de novos trabalhos e tantas outras coisas.

Seja qual for o caso, a cartomante deve lembrar-se de que a ocasião de se colocar cartas para uma pessoa é uma oportunidade de acrescentar algo, e por isso não deve desperdiçá-la deixando-se levar por devaneios ou pela tentação de agradar o consulente.

As cartas sempre mostram o que é mais importante para a pessoa, e é necessário que se diga absolutamente tudo o que é visto. Pode-se responder às perguntas do consulente, mas deve-se deixar que a mensagem das cartas se sobreponha, pois quando as palavras certas começarem a ser ditas o consulente certamente se calará e observará atentamente, pois ele saberá do que se trata e na maioria das vezes entenderá a importância daquilo. Isto nos leva à mais um princípio ético importante:

10 – A cartomante deve permitir que o que precisa ser dito ao consulente flua do baralho para ele, repetindo exatamente aquilo que é visto nas cartas, sem omitir, modificar ou minimizar nada.

Se você possui este dom, este conhecimento, leia e considere com atenção estes princípios de ética e responsabilidade. A cartomancia, como qualquer outro meio de adivinhação, não é algo trivial.

Exige preparo e conhecimento como qualquer ciência. O destino de uma pessoa é uma das coisas mais importantes que ela possui. Faça bom uso do seu dom, auxiliando pessoas a passarem por esta vida de uma maneira melhor, e permitindo-se aprender e crescer com isso.

FONTE: http://www.gotach.com.br/

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