O IMPERADOR DA CAPACIDADE

Escrever sobre O Imperador é escrever sobre atributos polêmicos. Por mais que pareça sem sentido há bastante debate sobre esse Arcano. Alguns afirmam ser carta de realização certa e bondade, outros garantem que ele é difícil e limitado. Nessas horas de discussão ou confronto, a melhor forma de eliminar qualquer dúvida é olhando o símbolo presente na carta, assim é possível ter uma noção clara do que ela oferece e do que a gente gostaria que ela oferecesse (e nem sempre se efetiva). Com tantas representações contidas numa única lâmica como essa, aqui vou me ater ao aspecto comportamental, evitando julgar (e consequentemente condenar) porque é sabido que nenhuma característica é totalmente negativa ou totalmente positiva, uma vez que são os momentos que definem as condutas necessárias a serem adotadas. Ou seja, não adianta estar extremamente feliz ao lado de alguém que sofre, ou ainda, não adianta estar numa fase difícil ao lado de quem desconhece dificuldades.

Imperador é dono de sua mente. Aprendeu desde pequeno o que se julgava “certo” ou “errado” à época (e segundo os preceitos de criação) e assim se manteve. Por mais que possa se manifestar um “Imperador Moderno”, ele tem uma postura característica e imutável, desde sempre. Seus conceitos, seus pensamentos, suas reações são estruturados, sólidos e bem definidos. Não é alguém que evita dizer o que pensa muito menos que não se posiciona. O Imperador tem, por natureza, a necessidade de dominar e controlar e é por esse motivo que não se esconde. Pode parecer “tosco” ao falar ou se expressar, uma vez que valoriza praticidade e objetividade. Ou seja, não adiantaria chorar horas na frente dele caso ele não venha a perceber sentido algum na situação. Cobrá-lo é perder tempo: ele dá o que quer, quando pode e como deseja. Esperar demonstrações de afeto pode também ser complicado, ele não acredita em muito romantismo, preferindo mostrar o que sente de forma sólida (ou material). É por isso que muitos o atestam como alguém limitado: ele realmente não faz muita força para extrapolar os próprios conceitos (afinal, ele acredita nesses conceitos!). E também não adianta dizer que é benevolente, já que ele tem uma noção de suas obrigações e responsabilidades, dificilmente deixando essas coisas em aberto. Resumindo: o comportamento do Imperador é firme, fixo, rígido e rigoroso. Para ele importa o fato e não a suposição. O que vale é o que se faz e o que se realiza, não o que se pretende apenas. Carta de conduta sóbria, moralista, definida e assumidamente egocêntrica (vale lembrar que egoísmo não é egocentrismo).

Na Terapia Floral de Bach, uma essência trabalha manifestações desse tipo de conduta. Na vida cotidiana, ouvimos quem convive com “Os Imperadores” reclamarem que ele é teimoso, cabeça-dura, difícil e quer tudo ao seu modo. E a Essência Floral Vine fala sobre esse padrão e suas manifestações. Segundo Bach: “Vine é para pessoas muito capazes, seguras da própria competência, com fé no êxito. Por serem tão seguras, acreditam que seria útil convencer os demais a fazerem as coisas à sua maneira, ou como estão convencidas de que é certo. Mesmo enfermas, dão instruções a quem cuida de seu tratamento. Podem ser muito valiosas em casos de emergência”. Aqui é possível sentir a pessoa estruturada e rígida da qual se fala. Todos nós, inclusive, conhecemos alguém assim: aquela pessoa que está ali pra todas as horas, que resolve tudo, mas que não admite nada fora de seu controle e prefere tudo ao seu jeito. São criaturas competentes, contudo, dificultam afetividade e não ouvem opiniões controversas com facilidade, se baseando em sua razão sem abrir espaço para quem é diferente ou age de forma diferente. Por fora, podem parecer mimadas, mas no convívio são autoritárias. E Vine trabalha equilibrando essas características. O Floral não vai deixar a pessoa sem identidade, mas vai dar um senso de medida e harmonia que farão muito bem em determinados momentos.

É interessante concluir que todo e qualquer aspecto pode requerer equilíbrio num determinado momento da vida. Aquela irreverência da adolescência pode se tornar incômoda na vida adulta, a rigidez útil nas fases difíceis pode precisar de brandura em relações mais abertas e amistosas, aquela emoção afetuosa pode se tornar sufocante em períodos de tensão… nada é unilateral, uma vez que pessoas diferentes possuem necessidades também diferentes. Nesse caso, a Terapia Floral ajusta o excesso de rigidez, deixando prevalecer a competência sem que ela proíba as diferenças. Para quem vive sob as próprias regras, sem descanso, é um respiro. Para quem vive submetido às regras alheias também pode ser um alívio. Importante reforçar que não indicamos um Floral para alguém só porque “achamos que a pessoa está precisando” ou porque algo nela nos incomoda. É sempre fundamental olharmos primeiro para nós mesmos, a fim de compreendermos o que tanto nos incomoda e está relacionado a outra pessoa, para depois podermos lidar com as diferenças num âmbito maduro. Afinal, muitas dificuldades se tornam aprendizados quando nos abrimos para enxergar a realidade sem medo de estarmos (ou termos) “errados”. Vine trabalha, em diversos aspectos, a visão individual que pode por vezes cegar para coisas importantes da vida. E viver sem ter espaço para as diferenças, sem entender os momentos alheios e sem poder aprender com o que nos incomoda é limitar ainda mais o crescimento e a própria evolução.

Boa Semana a Todos

Abraço e Obrigada

Kelma Mazziero

FONTE: http://blog.kelmamazziero.com.br/?p=298

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A IMPERATRIZ DOS CUIDADOS: ATENÇÃO QUE NÃO SE ANULA

Chegamos na Imperatriz, carta III, que trata de aspectos brilhantes. Muitos acham que esse Arcano é “perfeito”, pois tem crescimento, criatividade, andamento positivo, amor, consciência, interação… e tantos outros atributos sedutores para a maioria das pessoas. Nessas horas costumo dizer que se a Imperatriz fosse perfeita, não seria a terceira carta, ou pelo menos o Tarô teria apenas 3 Arcanos e terminaria com ela. Isso para mostrar que tudo na vida tem continuidade, que nem tudo é perfeito e mesmo assim não deixa de ser incrível. É um padrão mental a busca mimada pela perfeição que encerra em si mesma (uma besteira, porque a vida é feita de crescimento, andamento e constantes transformações para justamente deixar a perfeição como um conceito estático e pouco atrelado à natureza do homem).

De todo modo, como tem aspectos ligados à prosperidade, pode parecer complicado associar o padrão da Imperatriz ao padrão de comportamento que pede equilíbrio de alguma forma (encontrando, para ela, o Floral adequado). Contudo, o comportamento da Imperatriz é da cuidadora. Ela sabe falar, sabe gostar, sabe agir, sabe se relacionar. Sabe o que quer, sabe seus limites, não desanima nem se fecha sem necessidade. Tudo isso tem motivo de ser: ela cuida. Mantém sua família, mantém seu status, mantém sua estrutura (tanto que vem como parceira do próprio Imperador). Sendo assim, é responsável por gerar e manter, tarefa difícil que requer uma condição de policiamento quase o tempo todo.

Cuidar é vigiar, dar atenção, tirar o foco de si mesma(o) para dar importância ao outro. Ser responsável pelo crescimento e bem estar alheio. De preferência, fazer isso por quem ama e por todos os que precisam ou dependem dela. Aqui não falo de filantropia, mas sim, de generosidade. E por isso, cuidar se torna um hábito delicado: é preciso cuidar do outro sem esquecer da própria existência. É preciso saber manter as coisas sem perder com isso a capacidade criativa e inovadora. Parece fácil. Mas não é.

A mulher que se torna mãe e assume esse papel (com a cabeça e com a alma) bem sabe que sua vida muda para sempre ao ser mãe de família. E, por alguns bons anos, ela quase fica sem identidade. Não dá pra comer, pra dormir, pra sair, pra se arrumar… nada disso é fácil para a mãe que se doa. Tomar banho vira uma atividade coletiva, sentar e comer sem ter que sair correndo ou servir aos outros é quase impossível, dormir sem acordar assustada (pelo menos de vez em quando) é quase um sonho. E essa é só a parte prática… tem a emocional, que suga, que pede doação incondicional, e quanto maior o filho, maior sua necessidade. O mesmo para com o parceiro: ele precisa crescer, precisa estar bem, seguro e estruturado. Precisa de atenção e de cuidados, a menos que os papéis se invertam e o homem seja a Imperatriz da casa (o que, inclusive, não mostra problema algum, só os padrões mentais e emocionais é que serão diferentes).

Se doar é perigoso por isso. Quem tem medo de se entregar acaba se fechando e não vive o que a natureza pede em algum momento. Quem não tem medo de se entregar acaba sentindo, por vezes, que a identidade corre perigo. Acaba privacidade, individualidade, aquela solidão boa que pode ajudar a recarregar as baterias… e é aqui que entra o equilíbrio saudável.

A essência Floral não serve para resolver as coisas em nosso lugar. Ela desperta aspectos importantes que estavam adormecidos anteriormente por alguma razão. E nem sempre é preciso ter um problema grave para usar Florais, muitas vezes a manutenção do equilíbrio e bem-estar já pedem terapia floral. No caso da Imperatriz, a harmonia está em saber cuidar sem deixar a si própria de lado e acabar perdendo algumas características tão importantes (que fazem com que tudo floresça e crie vida ao seu redor). As essências que ajudam nesse re-equilíbrio são Red Chestnut e Chicory.

Red Chestnut (essência do grupo que trabalha medos) é útil para quem sente aflição pelos demais. Para aquelas pessoas que se colocam de lado, se despreocupam totalmente de si mesmas e concentram suas energias nas pessoas que ama, sofrendo por elas, quase vivendo suas vidas em seu lugar, antevendo desgraças e receios que não fazem sentido. Ou seja, é uma essência que trabalha o medo pelo outro. O medo que acomete os cuidadores e os deixam sem identidade.

Outra essência provável para quem vive a fase “Imperatriz” é Chicory. Floral que pertence ao grupo que tem excessiva preocupação com o bem-estar dos outros, essa essência harmoniza as necessidades, colocando uma nova perspectiva para quem vive concentrado e preocupado com as necessidades alheias, cuidando em excesso daqueles que ama, sempre procurando algo que as pessoas precisam para “arrumar”. Não se contentam com facilidade, acham que sempre há algo para ser corrigido e querem que as pessoas que gosta estejam sempre a seu lado, não permitindo afastamento.

É sempre bom relembrar: não estamos procurando problema onde não tem (e usando do comportamento Chicory), mas durante um jogo de Tarô ou uma análise das cartas é sempre bom ver como a Imperatriz se manifesta, se pode haver um comportamento excessivamente protetor e o quanto a identidade fora afetada. Nesses casos, ambas as essências podem ajudar a equilibrar e harmonizar, basta analisar qual dos padrões é mais proeminente na pessoa em questão.

Cuidar não é se anular. Pessoas responsáveis por outras, que não conseguem assumir essa faceta, podem ter um problema. Porém, aquelas que vestem a camisa da doação incondicional também podem, em algum momento, apresentar problemas. Não é possível assumir a personalidade de outra pessoa, cuidar de outra pessoa a ponto de não deixá-la ter individualidade, assim como não é saudável deixar todos aqueles que amamos órfãos emocionais. O equilíbrio é sempre a melhor resposta. E através de Florais podemos retomar esse caminho, com suavidade e consciência.

Boa Semana a Todos

Abraços

Kelma Mazziero

FONTE: http://blog.kelmamazziero.com.br/?p=291

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A PAPISA DA AUTENTICIDADE

Seguindo a ordem dos Arcanos Maiores, associando com as Essências Florais, é a vez da Papisa. Muito já foi escrito aqui sobre a Papisa (ou Sacerdotiza). Seu conhecimento, entendimento, discrição e capacidade reflexiva são admiráveis. Em alguns momentos se tornam ferramentas valiosas, noutras dificultam a rapidez ou mudança desejada. Tudo depende do que está sendo vivido.

Analisando de perto, a Papisa remete a aspectos femininos. Tanto do Feminino quanto das características femininas. Uma mulher sentada, discreta e fechada em suas vestes, que tem um pergaminho e uma chave em seu colo, com símbolos de espiritualidade e recolhimento. Fala de elevação, sim. Mas fala também da riqueza que toda mulher carrega consigo. Riqueza essa que permite um entendimento profundo de muitas coisas da vida, mas riqueza que é capaz de tornar um ponto simples da vida em pura complexidade. Não é à toa que se fala por aí que só uma mulher para entender outra mulher. Sua mente reflexiva, ampla, perspicaz é capaz de elucidar assuntos dificilmente compreensíveis e também capaz de gerar uma enorme polêmica sobre um assunto corriqueiro. Ou seja, ela é dúbia. Ela é dupla. É a Carta II, afinal de contas. A continuidade, a segunda, a que recebe. Sendo assim, pode ser uma mulher madura ou uma mulher complicada. Ou as duas coisas numa só.

A versão feminina do recolhimento e da sensibilidade pode sentir inseguranças. Pode sentir medo. E, se evita se expor, não é apenas para se proteger, mas também porque não pretende correr o risco de ser autêntica e – junto a isso – acabar incompreendida ou rejeitada. Tanto que ela pede tempo para quase tudo. Precisa de tempo para pensar, para agir (ou esperar que alguém tome a atitude), sente sem demonstrar, sabe sem ensinar. Ela contém, não necessariamente compartilha. Esse estado de constante pensamento e retenção pode criar momentos mais sensíveis e sensações de medo. É por isso que trabalhar a Papisa (ou o comportamento Papisa em alguém) requer equilibrar o que se doa com o que se espera. É saber esperar, mas não protelar. É conseguir entender sem exigir troca. É sentir sem precisar se magoar facilmente. Portanto, a Papisa equilibrada pede que se viva naturalmente aquilo que se é. Buscar a autenticidade sem excessos.

Nos Florais de Bach, uma essência pode equilibrar esses aspectos da mulher receosa, recolhida, temerosa de sua própria força e feminilidade. A Essência Mimulus é aquela que harmoniza a vibração do medo. Medo das coisas do mundo, medo de situações pontuais, de aspectos específicos. Trabalha a sensibilidade excessiva, que às vezes surge como o receio de viver a vida, de encarar desafios do cotidiano, de poder falar o que se quer sem magoar ou ser magoado. Mimulus é indicada para os que temem em silêncio, que carregam seus receios em segredo, evitando falar livremente com outras pessoas sobre seu universo pessoal. Sendo assim, Mimulus pode ser um Floral adequado para que se equilibre na Papisa os medos e inseguranças, a fragilidade e os receios. Ela bem sabe o que teme e o que receia e nem sempre consegue expressar ou expor o que é preciso para o mundo.

Como sempre digo (e escrevo) não vale somente para mulheres. Hoje em dia, muitos homens abarcam essas características. Numa sociedade onde as mulheres avançam em direção ao que desejam, lutam e buscam crescimento e respeito, muitos homens se fragilizaram e perdem o rumo. Não estou vitimizando nem um, nem outro lado, mas constantando que há um desequilíbrio de comportamentos na sociedade requerendo cuidado e atenção. Não são mais as mulheres as únicas s sofrerem desses medos secretos, mas homens também podem se sentir acuados preferindo recolhimento, evitando agir e se magoando sensivelmente.

Por isso, a essência Mimulus pode refletir a necessidade do equilíbrio interior e a busca pela autenticidade sem medos ou receios. Vale sempre reforçar que o Floral não faz milagre. Se você espera tomar um floral e sentir a diferença na hora, não se iluda. A Essência Floral é um caminho sutil para equilibrar a energia pessoal, harmonizando mente e coração, para que alcance paz e, então, possa lidar com tudo de maneira menos arredia. Acontece delicadamente, sem queimar etapas, sem mágica. Usando de forma consciente, pode ser um aliado incrível.

Vale aqui o preceito da Papisa associada ao Mimulus: conhecimento com responsabilidade é sempre o melhor caminho.

Boa Semana a Todos

Abraços e obrigada

Kelma Mazziero

FONTE: http://blog.kelmamazziero.com.br/?p=285

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O MAGO DOS OBJETIVOS

Hoje começo, oficialmente, a análise de comportamento das cartas do Tarô em associação com essências florais. Vou repetir, até cansar (a mim e a você, leitor) que isso não deve ser usado indiscriminadamente. É uma forma de publicar meus estudos, demonstrando as pesquisas, incentivando a todos e não “receitando” floral ou “ensinando” outras pessoas a fazerem isso. É preciso tomar muito cuidado com nossos arroubos de poder. Todos os temos. E quem nunca achou que poderia mudar o parceiro e torná-lo o amor ideal (depois viu que não se manipula outra pessoa em favor próprio)? Portanto, evitemos essa conduta aqui. Ler, apreciar, pensar. Usar isso são “outros quinhentos”.

Começando, claro, pelo Mago (Arcano I). Carta que demonstra personalidade atirada, cheia de energia, animada. Potencialmente alguém que corre atrás do que quer. Uma pessoa disposta, inteligente, simpática, falante, agradável, aberta. Contudo, uma pessoa que detesta pensar demais, não gosta de obstáculos, não tem tempo de refletir ou amadurecer as coisas. Alguém impulsivo. Alguém que quer tudo pronto hoje e, quando precisa esperar, pode vir a desistir de seu foco. Tanto que é Carta que não garante realização material, lembram? Ele quer realizar, tem potencial, mas nem sempre chega até o final. E por que não chega ao final? Porque ele quer as coisas rápidas, quer fazer acontecer logo, não aceita obstáculos como parte do processo, visualizando o resultado e não a lentidão do processo por inteiro. Não é à toa que é Carta representada por um jovem. Sua energia é juvenil, transmite a postura de adolescente, que ainda não sabe que passar no vestibular lhe custará dias e noites estudando, lidando com pessoas difernetes, além de encarar o fato de que sua “carreira” não é tão promissora quanto havia imaginado conforme frequenta as aulas… e que ao sair da faculdade estará ainda começando! Pois é: ele não conta com desafios, obstáculos. E se contar com eles, não tem tolerância o suficiente para superar ou adaptar seus planos. Ele foi feito para “caminhar” e não para “esperar”. Mas uma coisa não existe sem a outra, não é?

Sendo assim, temos aqui uma personalidade Mago: cheia de energia, jovem, positiva, simpática, interativa, disposta, comunicativa, inteligente. Porém com relutância a obstáculos, desafios, pouca capacidade de reflexão e rasa maturidade. Imagine uma cena na qual dois homens mais velhos observam um adolescente conversando com seus amigos. O adolescente relata sem dificuldade todo o seu plano de vida: mostra seu projeto de carreira, dizendo que já agilizou tudo para passar no vestibular, podendo entrar na faculdade, cursá-la enquanto fizer estágio e terminando até antes do tempo indicado por boas notas e por trabalhar no mercado antes de se formar, ganhando dinheiro e podendo já comprar sua casa, carro e viajar para celebrar a formatura (praticamente um homem bem sucedido 4 anos depois de passar no vestibular!). E, ao ouvir, os homens mais maduros se entreolham e um deles diz: “Certo. Vamos ver se daqui 4 anos você estará falando desse jeito”. Ou seja, a maturidade nesse caso é que trará as respostas, não adianta tentar antecipá-las.

No Sistema Floral de Bach, temos algumas essências que trabalham essa manifestação de comportamento. Tanto a ausência dessa energia, quanto seu excesso, podendo ser avaliado como equilíbro do potencial e da energia masculina (da iniciativa e atitude).

Uma dos florais que trabalha a ausência da ação, a sensação de nunca ser bom o bastante, de que se fracassa o tempo todo e, por isso, não há motivos de arriscar ou obter realização na vida é a essência Larch. Ela pede um resgate do princípio masculino, despontado no Mago, recobrando a iniciativa, a vontade, a fé em si mesmo. Essa essência é do grupo do desalento/desespero e pede injeção de ânimo e jovialidade. Outra essência de Bach, do grupo que mostra falta de interesse pelas circunstâncias atuais é a Chestnut Bud. Nesse caso, a pessoa se mostra imatura por não conseguir extrair das experiências de vida as lições necessárias. Para quem tem dificuldade de observar e por isso acaba vivendo experiências sempre semelhantes, sem conseguir absorver a reflexão necessária. Aqui, a imaturidade presente no Mago se assemelha à pouca disponibilidade do padrão de comportamento Chestnut Bud, pedindo mais reflexão e capacidade de aprendizado. Temos mais uma essência que aborda energia semelhante: Gentiam. Esse floral é do grupo da indecisão, utilizado para pessoas que desistem e desanimam com facilidade, mesmo tendo energia para superar desafios, contudo não conseguindo encarar imprevistos ou situações inesperadas/inusitadas, desistindo logo que se sentem pegos de surpresa. Seja por indecisão, por desalento ou desespero, ou ainda na falta de interesse pelas circunstâncias atuais, o comportamento do Mago pode requerer equilíbrio e ajuste. Adquirindo maturidade, preparo, aliando disposiçãao à capacidade de adaptação.

Nem sempre precisamos de um comportamento exageradamente desequilibrado para usarmos os florais. Assim como não precisamos atender uma pessoa de pouca idade para detectarmos o comportamento do Mago. Em vários momentos da vida nos vemos com muito ânimo e pouca resistência para superar problemas, e, nesses momentos, uma essência floral pode ser adequada e proporcionar um apoio energético importante. Como dito anteriormente, o objetivo desse estudo não é indicar essências, mas mostrar as diversas formas que um comportamento se manifesta e como buscar uma via adequada de equilibrar, analisando seus motivos e formas de reajustar a situação. Descobrindo a causa, buscamos uma solução.

O Mago pede que toda iniciativa tenha começo/meio/fim. O Mago pede disposição, não só para começar (ou recomeçar) mas também para manter e aprender. Por isso, não basta querer. É preciso estar pronto para alcançar a realização.

Abraços a Todos

Kelma Mazziero

FONTE: http://blog.kelmamazziero.com.br/?p=273

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A REGRA É SENSIBILIZAR!

Após um período aprendendo a lidar com a Temperança (última carta escrita aqui no Blog) é comum se pensar que tudo vai “andar” rapidamente, sem entraves, saindo “logo” daquela suspensão ou da espera. Porém, uma coisa que não se cogita (e é um fato) é que depois de algum tempo “obrigatoriamente esperando” nos tornamos mais observadores. Isso é uma prova de que (quase) todas as fases da vida embutem um aprendizado. No caso da Temperança ficamos tanto tempo esperando, tivemos que forçadamente confiar e acreditar no movimento do Destino, que aprendemos a baixar um pouco o ritmo mental e aumentar a percepção. Isso gera reflexão, conhecimento, paciência. Desenvolve a percepção, consequentemente, a capacidade de ouvir e observar mais. Qual carta carrega consigo esses aspectos? A Papisa.

Interessante notar que após uma carta de espera decidi escrever sobre outra carta com vibração semelhante. Sutis diferenças, que promovem um andamento mais consciente e refletido, após a suspensão da Temperança. É como ficar anos trabalhando sem pausa e, de repente, conseguir tirar 30 dias de férias numa praia quase deserta. No começo das férias sentimos até culpa, dá desespero ficar sem celular, sem computador, sem contato. Mas depois de um tempo vamos diminuindo o ritmo, percebendo as necessidades fundamentais, aprendendo a não sentir culpa por usufruir um pouco da vida e… quando retomamos o antigo ritmo tudo parece diferente. E realmente está. Porque a pausa foi fundamental na recolocação das coisas e prioridades em nossa vida.

Por isso, hora da Papisa. Retomar o ritmo aos poucos, lentamente, pensando antes de agir, usando da observação e percepção para “acertar” na maioria das vezes. Isso ajuda a troca, a reciprocidade, a compreensão, o auxílio e a generosidade. Quem não pára para ouvir o outro, quem não percebe as pessoas, quem nunca tem tempo de dar apoio dificilmente consegue alguma coisa duradoura na vida. E a Papisa mostra justamente que para agir é preciso estar ciente. Ela não dá passo em falso, não sai desembestada atrás de resultados, procura “sentir” o clima e o ambiente antes de modificar o que quer que seja. Tanto que é carta de receptividade, de continuidade lenta, de aceitação. Não tem uma atitude imediata, por isso não se arrepende facilmente.

Sendo assim, voltemos à vida. Após um carnaval que dificultou o andamento de tudo, meses em busca de organização e ajustes, foi necessária a pausa a fim de obtermos harmonização e enxergamos (ouvirmos?) tudo melhor. Confiemos na percepção, na intuição, no conhecimento adquirido. Sem cobranças! A hora pede propriedade ao realizar ou fazer qualquer coisa. E usar a sensibilidade é totalmente viável agora, tanto para as mulheres quanto para os homens, uma vez que podemos já ver uma grande quantidade de homens se permitindo viver a própria sensibilidade sem a obrigação de engolirem a própria intuição por medo de julgamentos alheios.

É isso. Entrada de outono, retomada de vida, uso de conhecimento e percepção em cada coisa a ser feita e definida daqui pra frente. Tenha paciência, reflita, pondere, assegure-se. Aos poucos, no decorrer do ano, poderemos ver uma nova pintura em nossa história. Portanto, caprichemos nos traços e nas escolhas�

Abraços

Kelma Mazziero

FONTE: http://blog.kelmamazziero.com.br/?p=257

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À SOMBRA DO PASSADO

Após escrever sobre uma carta movimentada como a Roda da Fortuna, vi que seria importante trabalhar em cima de um oposto, já que ter parâmetros extremos pode dar uma visão equilibrada e imparcial com eficiência. Por isso, estou aqui para escrever sobre o Pendurado. O próprio nome já indica o sentido da carta: pendurado, parado, estagnado, estacionado. Outro nome para essa carta é Enforcado. Qualquer que seja a denominação, aqui mexemos com uma situação contrária a da Roda da Fortuna. Temos ausência de movimento, nenhuma novidade, oscilação inexistente. O que faz alguém não oscilar, não titubear, não mudar? Os padrões. As raízes. O tempo. O hábito. Os costumes. Isso tudo pode, erroneamente, ser confundido com segurança.

Nem sempre ter padrões significa ter problemas. Muito menos as raízes provocam estagnação. Os hábitos e costumes não servem apenas para estacionar alguém. Contudo, não desenvolver a capacidade de adaptação pode, sim, criar “mofo” nas raízes e cristalizar o que é de costume, deixando obsoletos os padrões. Ou seja, não é “errado” ter opinião, ter hábitos, ter passado. Mas pode ser prejudicial não ter abertura para o que ainda é desconhecido. O Pendurado tem conhecimento, espiritualidade, poesia. Mas não tem vida. A vida que muda, que agita, que assusta e agrada. Essa falta arranca o brilho e a habilidade de perceber tudo e todos que estão a nossa volta. É por isso que o Pendurado vive o ontem no dia de hoje. E olha para o amanhã esperando rever o ontem.

A internet pode exemplificar muito bem um comportamento “Pendurado”. Por mais moderna que seja, ela resgata pessoas, dá a chance de revisitarmos o “passado”. É frequente vermos pessoas que se reencontram na internet e, por algum tempo, acreditam que poderão reviver o que já passou. Repito: nada de errado em rever, reencontrar, revisitar. O problema está em olhar as pessoas com olhos antigos e esperar delas as antigas atitudes. O Pendurado ignora a mudança natural, que está presente em tudo. Não é possível esperar que alguém seja a mesma pessoa tanto tempo depois. Não é possível estarmos iguais, também, depois de tanto tempo. E, mesmo que estejamos iguais, os tempos mudam, as circunstâncias não são mais as mesmas, a vida se altera. E isso tudo -querendo ou não- muda a gente, mesmo que não se queira mudar. Por isso, seguem abaixo algumas dicas para colocar um pouco de realismo num “Momento Pendurado”:

* Olhar para trás com olhos atuais é se condenar a um sofrimento desnecessário (daí vem a culpa, a mágoa, o arrependimento e uma cobrança desnecessária sobre si e sobre os outros)

* Esperar um resultado diferente, tentando fazer as mesmas coisas, também pode ser auto condenação

* Achar que é o outro que deve mudar, porque nada deu certo em função dele, é se iludir

* Tentar congelar aquela fase passada como a melhor da vida é proibir-se de ser feliz futuramente

* Querer o que já se teve (e não se tem mais) é ter medo do futuro

* Sentir medo do desconhecido pode ser normal, mas evitá-lo tentando reviver coisas antigas pode se tornar utópico.

Sendo assim, ficam as dicas básicas para lidarmos com nossas próprias “pegadinhas pessoais”. Nos exigimos demais, muitas vezes, querendo ter uma segunda chance. Cobramos resultados de uma época na qual não tínhamos a experiência que temos hoje. Buscamos respostas para os problemas atuais num passado que nem sempre é relembrado de forma imparcial. E é por isso que a carta indica tendência à dor. Porque podemos nos impor essa dor, por quanto tempo quisermos, já que nosso passado está logo ali e o futuro não dá sinal de ser tão bom quanto poderia ser. Por essa razão podemos (e devemos) fazer um esforço para perdoar o passado, compreendê-lo, deixá-lo no tempo adequado e adquirir forças para viver o dia de hoje, olhando pra frente sem medo, buscando evoluir – e não apenas revisitar – toda uma vida que está (sempre) pela frente.

Boa Semana a Todos

Abraço

Kelma Mazziero

FONTE: http://blog.kelmamazziero.com.br/?p=244

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DIGA SIM ÀS SUAS RAÍZES

Para encerrar a “quadrilogia” sobre o Imperador – que rege 2011 – escreverei um pouco sobre sua parte espiritual. Já foi publicado aqui no Blog um dos temas materiais (a manutenção), também um dos aspectos mentais (as regras), outro ponto sentimental (a confiança) e agora fecharei com o lado espiritual: as raízes.

É comum olharmos para a simbologia do Imperador e “categorizarmos” como alguém que realiza, mas é mentalmente tosco ou afetivamente limitado, tendo ausência completa de espiritualidade. Se fosse assim, 2011 estaria fadado ao fracasso, não é? O importante, realmente, é analisarmos as cartas além de seus “estigmas e rótulos”, para vermos muito mais do que meros significados. Aliás, seria bom fazermos isso com tudo na vida, para que o cotidiano se tornasse mais suave e menos discriminatório (quanto mais se fala em aceitar as pessoas como são, menos se permite a liberdade).

Esse ano exigirá muito de nossa capacidade no que se refere a manter coisas, lidar com mudanças sem perder os conceitos pessoais, respeitar as regras próprias ou alheias, redefinir a confiança… e também voltar às raízes. Muitos pensam que voltar às raízes é se conectar com outras pessoas, com descendentes e ascendentes. Contudo, não se deve esquecer das próprias raízes. Estar ligado à raiz é se conectar com aquilo que realmente se acredita, com seu “chão”, com aquilo que te dá fixação e suporte.

Vivemos um tempo de fragmentação interior. Hoje, quem dita nossa raiz -muitas vezes- são os outros. A moda, os conceitos, os julgamentos ou rótulos – e até o entretenimento – criam barreiras, delimitam identidades, rejeitam o natural. Não são todos (nem tudo) à nossa volta que geram essas marcas. Porém, se ficarmos desatentos, deixamos que o externo defina quem somos ou nos obrigue à adaptarmos o que somos em busca de uma adequação que nunca está boa aos olhos alheios. Nunca estamos magros o suficiente, nunca estamos felizes o suficiente, nunca estamos ricos o suficiente, nunca estamos cultos ou generosos o suficiente. Existe sempre alguém melhor ou algo mais adequado que a gente! E assim, instauramos um “buraco” interno, uma sensação de vazio, que nos dá o ímpeto de precisar de um parceiro, de um carro, de um tratamento estético, de um corte de cabelo. Não podemos viver com essas coisas por prazer, mas por aceitação social e familiar.

Sendo assim, meus caros, o ano pede Verdade. Realidade. Retorno às raízes. Estar em dia com a espiritualidade é conhecer sua missão e propósito de vida. Isso só é possível quando nossas raízes são conhecidas. Sabendo quem somos, poderemos ver nossa raízes, e de acordo com elas olharmos para a Vida com boa vontade.

Aceitemos nossa Verdade, nossas raízes, convivamos com nossa Natureza. Isso nos religa ao mundo exterior, sem criar relação dependente, e sim, laços respeitosos. Vamos viver 2011 com realismo. Sejamos conscientes de nossa Verdade. A natureza pessoal se alia à natureza que existe fora de nós, ensinando o respeito e a honra. Não vamos abrir mão do que somos e acreditamos para sermos aceitos. Toda verdade – desde que seja Verdade – não precisa ser imposta, apenas reverenciada.

Bom Ano de 2011, afinal, para todos nós!

Grande Abraço

Kelma Mazziero

FONTE: http://blog.kelmamazziero.com.br/?p=235

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A DELICADA ARTE DE MANTER

Esse ano resolvi mudar. Eu – que sou fã de mudanças – não estava muito contente em escrever o artigo costumeiro, sobre as tendências para 2011, do mesmo jeito. Por isso, pensei que, já que vou escrever sobre o Arcano IV (que regerá 2011) poderia muito bem selecionar 4 temas fortes da Carta e direcionar, um de cada vez, para próximo ano. Ou seja, para 2011 teremos 4 artigos sobre uma mesma carta, que representará 2011: O Imperador.

Muita gente ama o Imperador, muita gente o detesta. Isso porque ele tem essa aparência radical mesmo (ora, ele é a soma da carta da Morte, então carrega consigo um pouco do radicalismo dela). Quem gosta dele, se sente seguro e protegido pela sua representação. Quem não gosta, normalmente acha que ele é muito fixo e sufoca a criatividade. De todo modo, toda carta de Tarô é vasta demais para falar tudo (ou o que se sabe) sobre ela. E é por essa razão que selecionei 4 temas fortes, cada um manifestado num plano, para esclarecer ao máximo as tendências de 2011 e demonstrar que gostar da Carta ou não, nesse caso, fará pouca diferença

Essa semana escreverei sobre o plano material dele. A arte de manter. O Imperador é carta fixa, rígida, sem movimentação. Ele costuma manter as coisas como estão, principalmente no que se refere a questões práticas e materiais. Justamente por ser objetivo, direto e prático, ele não é lá muito adepto das mudanças, das surpresas, das alterações. Prefere a regra, o costume, o padrão. Aqui, evitemos julgar, para que fique mais fluida a compreensão. Até porque a manutenção, hoje em dia, cheira a padrão antiquado, a coisa velha e quadrada, contudo não é sempre que manutenção significa envelhecimento. Às vezes, conseguir manter algo requer um esforço tremendo, trabalho árduo, um empenho realmente eficaz. E o Imperador tem tudo isso.

Manter uma amizade, um trabalho que se gosta, uma situação financeira favorável, um estado de alegria, uma relação amorosa ou, até mesmo, manter a esperança… é uma arte. Delicadíssima aliás. Porque depende muito de empenho, de energia, de objetividade, de estrutura. A amizade vai durar se superarmos as fases ruins, o trabalho vai continuar se conseguirmos nos empenhar sem esmorecermos, o dinheiro poderá durar se formos realistas, a alegria existirá enquanto o que se conquistou fizer sentido, a relação amorosa durará se o desejo de continuar for maior que o de ir embora, e a esperança estará em nossa vida enquanto conseguimos lutar pelo que acreditamos.

2011 será regido pelo Imperador. Pedirá empenho, esforço, praticidade. Pedirá a arte da manutenção, estruturada pelo realismo e por tudo o que for considerado “correto”, respeitando as regras pessoais e também as regras dos semelhantes. No âmbito material, será um desafio à estabilidade. Se conseguirmos trabalhar com bases sólidas, veremos resultados também firmes, tais como durabilidade, segurança, solidez.

Fica aqui um dos recados para o próximo ano: trabalhe duro. Trabalhe com gosto. Trabalhe com sentido. Tenha em mãos o que for preciso para realizar objetivos com praticidade. O Imperador contempla quem é direto, assertivo, quem sabe o que quer e conhece bem aquilo que diz acreditar.

Faça do próximo ano um desafio positivo, uma forma íntegra de batalhar por tudo o que se quer.

Grande Abraço

Kelma Mazziero

* Vale lembrar que nem tudo o que se refere ao próximo ano terá total influência na vida de todos. Cada um tem seu ciclo pessoal e poderá, à sua maneira, acrescentar os conselhos ao seu caminho individual

FONTE: http://blog.kelmamazziero.com.br/?p=216

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QUERER É ESCOLHER

Algumas situações da vida pedem escolhas. E nós, perante algumas escolhas, ficamos tensos e inseguros. Isso porque percebemos que, a cada escolha, é inerente uma consequência ou um resultado. E – lógico – ninguém gosta de “errar” em suas decisões optando pelo caminho que gera resultados inesperados ou desfavoráveis.

O que nem sempre pensamos é que fazemos escolhas o tempo todo, em nosso cotidiano, mesmo que seja de forma pouco consciente. Por exemplo: o mero impulso de querer alguma coisa já é uma escolha natural. Se eu quis viajar nas férias naturalmente fiz uma escolha. Poderia ter ficado em casa estudando, poderia ter feito um curso, poderia não ter feito nada! Mas senti vontade, quis e realizei. Todo o processo das férias, nesse caso, estava atrelado a uma escolha (aquilo que eu tive vontade de fazer e resolvi fazer). Outro exemplo: gostei de alguém e resolvi investir nessa pessoa. Isso mostra que a escolhi. Você pode estar pensando que “gostar não se escolhe”, e isso é verdade. O gostar acontece, brota, surge dentro da gente. Mas investir na pessoa e batalhar para estar com ela é uma escolha. Poderia gostar e não fazer nada, ou tentar buscar interesse por outra pessoa, ou ainda sofrer em silêncio sem agir. Novamente, a partir de uma emoção ou sentimento, é feita a escolha e dela surge um resultado.

Sendo assim, decisões são gestos que fazem parte de nós, expressam nosso querer. E, quando à nossa frente surge uma bifurcação, a insegurança e hesitação mostram apenas que não sabemos ao certo o que queremos, qual o melhor caminho a seguir. Caso contrário, nem perceberíamos a indecisão, simplesmente agiríamos – quase que imperceptivelmente – escolhendo. O que nos deixa indecisos é a pouca clareza do que queremos perante uma dúvida.

Cabe lembrar aqui que gosto de escrever na primeira pessoa do plural justamente porque me incluo nessas experiências de vida, evitando criar reflexões que sirvam só para os outros. Quando digo “todos sentimos” ou “todos vivemos” me refiro ao processo que todos passam e experimentam, em diferentes momentos da vida, em distintas idades e diversos graus de percepção também. Porém, ao me incluir, não estou aqui dando minha opinião, mas fazendo uma análise cotidiana (ou comportamental) de uma lâmina do Tarô. No caso desse artigo – Os Enamorados – temos o ensinamento sobre nossas próprias decisões. O quanto supervalorizamos as escolhas ou os momentos de optar, sendo que, fazemos isso inúmeras vezes sem ao menos perceber. É uma questão de intensidade em nosso “querer”.

Enfim, o Arcano VI nos mostra as diversas dimensões de nosso querer. Quando queremos muito escolhemos sem pensar. Quando não sabemos o que queremos diante de algo, ficamos indecisos. E, nessas horas, o melhor a fazer é temer menos o erro e crer mais na intuição. Nosso rumo, quem traça, somos nós. E é por isso que, sempre que possível, poderemos reverenciar as alternativas a fim de continuarmos caminhando cientes de que tudo em nossa vida é fruto de nossa opção e de nossa essência.

Boa Semana a Todos

Abraços

Kelma Mazziero

FONTE: http://blog.kelmamazziero.com.br/?p=212

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USAR O LIVRE-ARBÍTRIO (TAMBÉM) É UMA OPÇÃO

Um assunto muito mencionado, durante aulas e consultas de Tarô, é o livre-arbítrio. De vez em quando, ao ensinar ou analisar Tarô, preciso parar o raciocínio para esclarecer esse tema.

Costumo dizer que livre-abítrio é um tema tão extenso quanto falar sobre karma. Porque envolve conceitos pessoais, conduta de vida, postura pessoal, religião, crença, fé… ou seja, é trabalhoso e requer respeito aos limites (tanto os próprios quanto os limites alheios).

Em momentos de mudança, de dúvida, de indefinição, desequilíbrio ou tensão, precisamos usar nosso livre-arbítrio com maturidade. Ou seja, para assumir uma mudança precisamos conduzi-la da forma mais adequada, para decidir algum impasse temos que ser realistas e justos, para definir alguma coisa devemos usar de firmeza através da escolha do caminho certo, e assim por diante.

Sendo assim, muitas consultas de Tarô se tornam delicadas quando damos a notícia ao consulente de que, quem decide, é ele. A decisão é sempre sua. Porque, se não tiver esse direito, essa opção, se tornarão fantoches da vida. Ninguém se sente totalmente à vontade sendo direcionado o tempo todo, sendo conduzido ou poupado de tudo. Já imaginou sua vida sendo totalmente gerenciada por outra pessoa? Outra pessoa escolhe suas roupas sua carreira, sua relação, seus amigos… como seria?

Da mesma forma que queremos escolher o que nos cerca (na maior parte da vezes, pelo menos) precisamos estar preparados para decidir coisas – supostamente – mais importantes. Tanto o tarólogo quanto o consulente detestam lidar com esse momento. Mas não tem jeito. Não podemos, não devemos, escolher em seu lugar. Nem você gostaria disso, depois que visse os resultados da escolha feita por outra pessoa em sua própria vida.

Pode parecer estranho ouvir de um tarólogo ” A decisão é sua”. Pode parecer que a consulta não serviu para nada. Contudo, não é certo falarmos o que você deve fazer ou escolher. Esclarecemos as opções, explicamos o momento e a situação, até explicamos sobre pontos que não são vistos com facilidade. Mas, dar a decisão seria invasão, seria autoritarismo, seria castração.

Portanto – tarólogos e consulentes – estejamos prontos para esses momentos. Não poderemos ajudar a todos como se espera. E os consulentes nem sempre ficarão felizes ao ver que continuam precisando arcar com as opções responsáveis de suas vidas. A liberdade é importante para se construir a experiência de vida, a sabedoria, a maturidade. Quem não escolhe por si, não aprende a ter fé em sua capacidade, não sabe o que é confiar em seus instintos, não conhece seu próprio poder. O tarólogo estará aqui para devolver-lhe seu poder e não para roubá-lo. Você prefere viver integralmente, ou deixar que decidam seu futuro em seu lugar? A decisão é sua. A decisão deve ser, sempre, sua.

Boa Semana

Abraços

Kelma Mazziero

FONTE: http://blog.kelmamazziero.com.br/?p=182

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